Conjunturas pedagógicas inesperadas
Atualmente dou tantas aulas que minhas principais reflexões são sobre elas. Tento fazer alguns links com a tutoria e às vezes consigo. Ontem, numas das aulas que era de Geografia começamos a falar sobre o continente africano, os locais de onde saíam os escravizados, os países onde se fala a língua portuguesa… Eis que falo então do local onde surgiram os primeiros vestígios de seres humanos e da importância da tecnologia do fogo para que o ser humano dominasse o restante do planeta e pudesse dominar outros continentes. Tais questões, por demais prementes, capturaram o interesse dos alunos, e o que era para ser a aula sobre geografia da África ficou em segundo plano frente a tão fundamentais questões: o surgimento dos seres humanos e a “descoberta” do fogo.
A questão então envolve a centralidade dos objetivos de uma aula, e/ou o aproveitamento de um vivo interesse dos estudantes. Creio ser muito importante estas oportunidades pedagógicas que surgem inesperadamente, pois são momentos em que há a possibilidade de potenciar o aprendizado. Nem sempre daquilo que é o objetivo da aula/tutoria, mas sem dúvida do que é um vivo interesse do estudante.
Tentando traçar um paralelo mais direto com a tutoria, seria como uma situação onde a aluna faz perguntas sobre o pbwork, por exemplo, ou sobre algo organizativo do curso, é é uma oportunidade de valorizar as potencialidades da plataforma em que se está trabalhando. Por exemplo, às vezes as alunas podem expressar contrariedade ao uso de uma dada plataforma, e no ato de tutoriar questões da aluna, há a oportunidade de justificar a utilização e aproveitamento da mesma plataforma.
É estranho refletir sobre isso, mas acho que podem existir oportunidades pedagógicas, momentos em que uma conjuntura inesperada abre chances de aumentar certos aprendizados, mesmo que eles fujam de objetivos mais específicos.
Para mim, enquanto professor e tutor, nem sempre é claro os caminhos que uma dada aula/tutoria seguem, sendo que ocorre muito mais em aulas que em tutorias já que o público das aulas, os jovens, são geralmente menos centrados naquilo que fazem
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