A descontração no ensino-aprendizagem
Esses dias fui num passeio e, como estou em escolas novas, conhecendo os alunos e colegas, foi uma ótima oportunidade para ter momentos de descontração com tanta gente nova com quem estou convivendo.
São curiosas as situações de descontração junto às pessoas envolvidas no ensino e aprendizagem. Preferi dizer “pessoas envolvidas no ensino e aprendizagem” pois ultrapassa a relação aluna-professora, incluindo aí sua famílias, os demais funcionários envolvidos com a escola etc. Nos finais de ano, é muito comum haverem passeios com os alunos e suas famílias, enquanto que para professoras e professoras-alunas é momento de muito trabalho. Então em fins de ano podemos dizer que temos grandes momentos de descontração e, por outro lado, momentos de muito trabalho (e possível stress) junto aos colegas de trabalho.
Mas os momentos de descontração acontecem de forma esparsa durante todo o ano e acho que eles são muito importantes para o aprofundamento da relação ensino-aprendizagem. Com os alunos e famílias das escolas, podemos brincar e falar dos fatos corriqueiros da vida, falar coisas fora do âmbito das atividades pedagógicas propriamente ditas. Falar do tempo, dos brinquedos dos parques de diversões, falar de nós mesmos sem estar intermediado pelo trabalho… Com a aproximação afetiva juntos aos alunos e colegas de trabalho, é mais fácil aceitar suas diferenças e contrariedades. E não somente aceitar mas também compreender para poder melhorar o próprio trabalho de professor.
Talvez isso seja óbvio para as pedagogas, mas para os licenciados nem sempre é tão lógico assim, entrando facilmente naquelas lógicas de pensamento que dizem “mas isso não é coisa de aula; não fui formado para isso; fui formado em tal disciplina e não para isso…”
Nas situações de tutoria, com distância física mas proximidade digital, também é importante a aproximação, falar um pouco de nós mesmos sem estar intermediado pela atividade pedagógica. Então aquelas vendas de produtos que sempre acontecem em salas de professoras também acontecem nos grupos de whats com as alunas. Às vezes uma brincadeira ou uma situação divertida, a comunicação via emoticons…
Uma oportunidade boa para fomentar a aproximação em situações de tutoria é quanto uma aluna fala de um problema com seu computador, e aí podemos falar de problemas parecidos que já tivemos ou falar sobre como isso “dá dor de cabeça” etc. É uma situação que ‘foge’ do objetivo direto da relação ensino-aprendizagem mas pode ser aproveitada para se aproximar da aluna e, assim, melhorar a relação ensino-aprendizagem. Em salas de aulas de escolas físicas, tais situações ocorrem diversas vezes durante o dia e vamos equilibrando elas, para fazer alunos mais tímidos se exporem e alunos mais ‘expostos’ se acalmarem, criando uma espécie de democracia participativa, procurando dar voz a todos, pressionando para que todos apareçam, contentando os mais falantes e exibidos.
Não entro mais seguido no facebook, rede que se presta muito para descontração e dispersão, mas, por acaso semana passada vi coisas pessoais de alguns colegas de trabalho, e gostei de ver porque eu me identifiquei com tais postagens. Por outro lado, as milhares de mensagens de “bom dia” com ursinhos, gatinhos mimosos e estrelinhas cor de rosa já não sou muito afeito e me cansam. Quando a situação se torna exagerada, vale a chamada de atenção tanto para a escola física quanto para os grupos de whats. No caso do whats, até dificulta a visualização das mensagens importantes, pois as pessoas preferem pedir que seja postada novamente a mensagem do que voltar a linha do tempo para procurar, sendo uma atitude a ser ensinada. Quando isso acontece em meus grupos, sou um pouco ríspido e digo que já foi postada mais acima.
Enfim, tanto nos espaços escolares físicos quanto nos digitais é importante saber aproveitar os momentos de descontração procurando equilibrá-los e guiá-los para uma melhor relação de ensino-apredizagem.
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