Avaliação, professor reflexivo, experiência e organização em tutoria
Sempre se fala que é muito difícil avaliar os estudantes. São muitos e variados os critérios, são muitos e variados os avanços de aprendizagem, é complicado medir o ponto de corte das exigências. Avaliações muito complexas podem dar muito trabalho aos avaliadores e estudantes. As avaliações também podem às vezes demandar muito trabalho e pouco desenvolvimento de aprendizagem. Conferir os critérios para um professor reflexivo não é uma tarefa simples. E, em países com alto grau de injustiça, as questões pertinentes à justiça tendem a ser polêmicas e até tabus.
Conferir na escrita de um estudante se ele executa a ação de reflexão sobre sua prática em sala de aulas e, mais ainda, se ele executa a ação de refletir sobre a prática na própria ação da prática. Seria como a metacognição ao vivo da prática pedagógica. Não tenho muita clareza se é bem isso.
Mas enfim, avaliar a metacognição reflexiva dos estudantes é tarefa imbricada. Sem dúvida se faz necessário um amplo domínio dos conceitos do que é um professor que reflete a sua reflexão na prática e, depois, se esse professor-estudante avançou na aprendizagem para tornar-se esse professor que reflete a sua reflexão na prática.
Chama a atenção o quanto o trabalho como tutor também auxilia as alunas com a organização ou então chama a atenção para isso no trabalho das alunas. Agora no estágio, tendo as alunas de editarem frequentemente o PBwork, inicialmente algumas confundiram bastante o que era o Projeto de estágio, o Cronograma-planejamento semanal, as Reflexões semanais…
A forma como cada uma fez o seu Planejamento foi diferente, mas curioso que agora já para o final do estágio, algumas estejam fazendo descrições reflexivas diretamente em seus planejamentos. De certa forma, seria até mais prático se estivesse tudo mesmo num só quadro, bastaria que as planilhas do Planejamento tivesse uma coluna para as Reflexões.
Lendo o texto indicado pela profa Cíntia, Jorge Bondía sobre o saber da experiência: gostei muito da leitura do texto indicado. A construção do discurso do autor centra-se na construção da ideia de experiência, excluindo diversas concepções de experiência que não possuem tanta relação com a ideia de pedagogia e experiências de fato. Há alguns anos atrás aprendi um pouco sobre a importância de aprendizagens significativas com os estudantes, mas o autor vai além dessa perspectiva pois considera a experiência como algo mais profundo, algo que tocaria de forma muito grande um indivíduo.
Creio que no momento de uma aula é muito importante pensar que, em parte dela, tenha-se um objetivo e uma abordagem pedagógica que envolva o estudante a ponto de que ele viva uma experiência tal como descrita por Bondía.
Sem estar referenciando o texto do autor diretamente, recordando de memória, a experiência que me tocou foi que uma experiência é aquilo que nos marca mesmo, é aquilo que nos funda e serve de referência para os passos futuros da vida. Talvez, inclusive, a ideia de experiência do autor esteja nem sempre colada à idéia de consciência e de grande domínio sobre aquilo que acontece ou se aprende.
Uma experiência de fato é algo que precisa acontecer. Algo que deve ser planejado e tentado para uma aula. Para a tutoria, enquanto tutor, imaginando a mediação de uma experiência, acho que podemos contribuir para o amparo dessa experiência nas alunas. É provável que a Adriana já esteja editando o sidebar de uma maneira mais inconsciente, mais automática. Não sei se posso considerar uma experiência o momento quanto guiei ela duas semanas atrás para demonstrar como editar o sidebar. Como poderíamos chamar uma experiência pedagógica total… Uma experiência pedagógica completa… Uma mediação efetiva…
Acho que a ideia de experiência do autor está para além da ideia de aprendizagem, sendo talvez uma aprendizagem mais profunda do que apenas uma aprendizagem significativa ou banal, como algo prático de se saber tal como editar o sidebar.
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